quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Artimanhas na noite


Nosferatu
Colocado por archizero


Uma vez que esta é a véspera do Dia de Todos os Santos, noite cheia de lendas sobre artimanhas e bruxedos, lamentos de almas penadas e sussurros assustadores do além, deixo-vos com cenas de um dos primeiros filmes de terror da história do cinema: Nosferatu, realizado em 1922 (há quase cem anos!) por F. W. Murnau. O assustador Conde Orlock é o avô do icónico Drácula imortalizado no celulóide por Bela Lugosi. É uma sugestão vampírica, para esta noite fria em que só apetece ver uns bons filmes de terror ao calor da lareira. Bons sonhos...

Dia Mundial da Terceira Idade - 28 de Outubro


Tem a palavra...

O facto de ter nascido em Dezembro trouxe-me vários dissabores: um, de contornos materialistas, a prenda dos anos vinha pelo Natal; outro, de carácter astrológico, fiquei, para sempre, um ser de sagitário; e, o mais grave, de dimensões verdadeiramente trágicas, entrei para a escola quase um ano depois das outras crianças, com, exactamente seis anos e dez meses.
A bem dizer, a perda só foi grande porque foram vários meses de vida sem ler.
Esse tempo de privação criou-me um trauma ainda não ultrapassado, condicionando toda a minha existência: desde que fui iniciada na ciência da decifração das letras, um processo de deslumbramento que durou dois meses, nunca mais me separei dos livros.
Recordo a primeira paixão, Os cinco salvaram o tio, da Enid Blyton. Foi uma aventura avassaladora, de tão intensa, que me levou à fuga da casa dos meus pais; em cada página lida eu era também parte dos cinco e estava com eles na ilha, na casa da Zé a comer scones, a passear Tim, o cão, ou a descobrir bandidagens perigosas. E os meus pais nunca deram pela minha falta, mas certo é que saltei de aventura em aventura, viajei para outros países, para locais fantásticos, até fui ao fundo do mar e entrei dentro de um vulcão, com o Júlio Verne; vivi, não um Amor de Perdição, mas vários com Camilo Castelo Branco, e recuei a tempos históricos com Júlio Dinis.
Claro que não saí ilesa, hoje tenho a casa atabalhuada de livros, não chegam as estantes, estão no chão, em caixas, são daqueles amores com os quais tropeçamos e embirramos, mas dos quais não nos separamos. Eu já tentei tudo: decidi não comprar mais livros, ir só à biblioteca, uma relação perfeita, cada um na sua casa, eles sempre disponíveis p’ra mim, à distância de uma requisição; contudo o vício é grande, em poucas semanas voltei a cair na tentação ... e a comprar. Precisava de um relacionamento mais estável, com partilha de espaço... Depois, decidi emprestar ao desbarato, sem registar a quem emprestava e sem pedir devolução. Novo erro, fiquei com mais espaço em casa e com menos saúde no fígado, retorcia-me com raiva dos amigos que usurparam os meus amores.
A solução parece ser que me assaltem a casa, me levem os caixotes e despejem as prateleiras, desapareçam com as páginas e páginas de ácaros nacionais e estrangeiros, de romance, poesia, ensaio, teatro e sei lá que mais. Levem-me os livros todos! Para, então, ter espaço livre para mais.

Professora Maria João Silvestre

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Aprender mais e melhor na Biblioteca Escolar



Ainda no resquício das actividades que levámos a cabo no âmbito do Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, divulgamos a imagem de um marcador que foi distribuído a todos os alunos em Área-Projecto, com indicações acerca de "Como fazer um trabalho?"

Assim...
1.º PENSA sobre o TEMA.
2.º DECIDE como e onde vais encontrar a informação.
3.º LOCALIZA a informação.
4.º SELECCIONA o que é importante.
5.º ORGANIZA os dados recolhidos. REDIGISTE o trabalho!
6.º AVALIA o trabalho realizado.

ATENÇÃO: Não te limites a reproduzir a informação que leste. Lembra-te que a tua opinião e conclusões, apoiadas nos dados que obtiveste, são indispensáveis!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Corrente Literária



Ao viajar pela blogosfera sideral descobri, via corta-fitas , uma corrente literária à qual resolvi, clandestinamente, aderir (liberdades blogosféricas). A dita corrente pretende evidenciar "o papel do acaso na abordagem do texto literário" (palavras demasiado jactantes para uma coisa tão simples, como adiante se verá).
Para aderir à corrente é necessário cumprir cinco regras:
1. pegue no livro mais próximo com mais de 161 páginas (escolhido aleatoriamente);
2. abra o livro na página 161;
3. na referida página procure a quinta frase completa;
4. transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais cinco colegas à escolha.
O livro que me saltou, aleatoriamente, para as mãos foi A Filosofia Hebraico-Portuguesa de Pinharanda Gomes e a quinta frase da página 161 diz assim: "A sinagoga de Amesterdão manteve as características das sinagogas do sul, dando relevo à Arca e à Bimah, mais arrumada a oeste do que ao centro, e a sua concepção, dita «jesuítica», serviu de modelo a sinagogas posteriormente construídas."
Por acaso, a frase refere-se à sinagoga portuguesa de Amesterdão onde encontrou abrigo uma importante e próspera comunidade sefardita, de tal forma que na Holanda o português e o castelhano foram línguas eruditas e populares. Ainda em Amesterdão, podemos visitar a Casa de Anne Frank, jovem judia deportada para Auschwitz com a sua família e que viria a falecer no campo de concentração de Bergen-Belsen. Por acaso, eu também já estive em Amesterdão...
Resta-me agora lançar o desafio ao Artur, ao Fernando, à Jaqueline, à Maria João e ao José Paulo, para que a corrente não se quebre (vá lá, leiam qualquer coisinha!). Alea jacta est!


Leitor de vídeo operacional

Informamos que o leitor de vídeo foi arranjado. Como tal já é possível visionar cassetes VHS.
Bom cinema!

Passaporte de leitura II

P.S. Esclarecemos os nossos "passageiros", ainda em relação ao "Passaporte de leitura", que cada viagem (ou seja, cada livro) corresponderá a uma milha. Guardem os passaportes, pois, no final do ano, haverá surpresas consoante o número de milhas percorridas. Mas, ATENÇÃO, por cada devolução fora de prazo haverá penalização no número de milhas. É que nós gostamos de cumprir horários...


domingo, 28 de outubro de 2007

Imaginar o futuro



Gostaria de partilhar convosco o meu gosto por uma forma muito especial de literatura: a literatura de ficção científica.
Quando se pensa em ficção científica pensa-se sempre em naves espaciais, aventuras no espaço profundo, combates titânicos por entre as estrelas brilhantes, horripilantes monstros mutantes de intenções pouco saudáveis. Este é um dos aspectos da Ficção Científica, um aspecto leve e divertido. Mas Ficção Científica é muito mais do que isto. Para se escrever boa ficção científica é preciso fazer mais do que imaginar mundos futuros e aventuras excitantes: é preciso conhecer a ciência, é preciso conhecer a sociedade e a história do mundo. Não é por acaso que muitos dos escritores de Ficção Científica também são cientistas.

Hoje, parecemos viver no futuro. A tecnologia do futuro faz parte das nossas vidas. Já não concebemos a vida sem telemóveis, sem internet, sem automóveis, sem televisão, sem todos aqueles objectos quase mágicos a que a electricidade dá vida.

Os escritores de Ficção Científica procuram imaginar os futuros; olham para o presente, para a sua época, e tentam imaginar como será o futuro. Algumas vezes acertam; outras vezes, o futuro apanha-nos a todos desprevenidos, com algo de novo, maravilhoso e inesperado que nos vai revolucionar a vida.

Ao longo das próximas semanas vou partilhar convosco algumas das obras de Ficção Científica que me apaixonaram, que me levaram a pensar, que me deram vontade de construir o futuro, de... to boldly go where no man has ever gone before!

sábado, 27 de outubro de 2007

As leituras de infância de alguns famosos...



Sempre tive curiosidade em saber o que leram alguns escritores enquanto jovens.

Depois de ver esta página, concluo que eram jovens tal como eu era (naquele tempo), isto é, leram o que eu também li!

Vejam só que eu tinha algum receio em dizer que lia muita banda desenhada, tal como o Álvaro Magalhães também lia! Pensava eu que não seria próprio um professor dizer aos alunos que "devorava" banda desenhada.

Vejam as preferências de outros autores aqui.
Obrigado e até logo

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Passaporte de leitura


Lançamos hoje um "Passaporte de Leitura". Assim, os nossos utilizadores, sempre que requisitarem ou devolverem um livro no Centro de Recursos, deverão apresentar esse passaporte que lhes será concedido na primeira viagem que realizarem. No final do ano vamos somar as "milhas de leitura"...
Boa-viagem!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Em breve todas as escolas terão uma Biblioteca!

Na segunda-feira, o primeiro-ministro deu esta novidade!

Ficamos à espera!

Leiam mais em

Primeiro de Janeiro - Escolas na Rede de Bibliotecas

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Eu li e recomendo...



Várias pessoas da nossa escola desejam partilhar as emoções que viveram através de livros que as marcaram. Para isso deixaram as suas sugestões de leitura num cesto que encontram à entrada do Centro de Recursos, cheio de livros à espera de serem requisitados. Curiosos?!

Então apareceçam e vejam o que nos recomendaram os professores José Vaz, Manuela Inácio, Dália Ribeiro, Ana Cristina Sousa, Natália Tavares, Jacqueline Duarte, Ana Paula Rebelo, Sandra António, Maria João Cruz, o nosso patrono, José Fanha, a Patrícia Gago... E a lista ainda está em crescimento! De que é que estão à espera?!

Em 2007/2008 só lê quem é afoito!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Recital com José Fanha - Ao encontro do patrono

A casa acorda

O mês de Março entra alegre
transparente e buliçoso
pela janela.

Tudo é ouro
na preguiça com que o sol
vem beijar
a intimidade da casa.

Os lagartos começam a acordar.

As abelhas dançam.

Digo blue.Blau. Azul.

E até a brisa é verde.

José Fanha

Este é um dos poemas escritos pelo nosso patrono. Hoje quatro turmas da nossa escola, em duas sessões de recital, tiveram a oportunidade de o ouvir dizer textos seus e de outros colegas de ofício. Além de dizer, conversou connosco e falou-nos do que é ser escritor e "roubar" emoções, palavras àqueles que nos rodeiam, ou seja, percebemos que um escritor é, afinal, alguém que está muito atento ao mundo e o perpetua usando as palavras como fotografias.
Obrigada, José Fanha, pela partilha!

O nosso Centro de Recursos também tem uma História...


No dia 24 de Outubro de 2005 o Centro de Recursos Poeta José Fanha foi oficialmente inaugurado (vejam a foto). Nesse dia houve festa e, entre outras pessoas, estiveram presentes familiares do nosso patrono e o seu amigo João Aguiar, também escritor.
Pois é, o nosso espaço já tem uma História e, como sempre, houve pessoas que contribuíram para isso. Ao leme da Biblioteca estiveram já diversas professoras. Tudo começou com a professora Lurdes Antunes. Depois chegou a professora Fernanda Garcia e a Biblioteca cresceu mais um pouquinho. Finalmente, há cerca de quatro anos, com a professora Maria João Silvestre transformou-se em Centro de Recursos e ganhou o aspecto que hoje tem.
Como vêem já fazemos parte da História...

Manual de instruções. "Como falar dos livros que não lemos?"



Título: Como falar dos livros que não lemos?
Autor: Pierre Bayard
Editora: Verso da Kapa
Ano: 2007







"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!"

(Fernando Pessoa)


Ao começar assim, de forma paradoxal, esta minha humilde participação no Nosso blog, que faz a apologia da leitura e da amizade pela Biblioteca escolar, estarão certamente a pensar que me enganei na morada. Na realidade só aparentemente é que assim é, pois venho apresentar-vos um pequeno Ensaio que nos "ensina a saber ler sem ser necessário ler tudo, considerando por isso que, tanto as não-leituras como as quase-leituras são tão válidas quanto a leitura integral". E assim é de facto, pois se em muitos casos a leitura integral é necessária, já noutros ela se revela pouco útil ou importante; ou seja, o aparente e provocatório incentivo à não-leitura, torna-se assim, uma forma de apelar à leitura com proveito, porque há muitas formas de ler e as quase-leituras podem ser tão válidas como quaisquer outras. E toda a leitura é sempre pessoal e mágica (mesmo que seja uma não-leitura) porque ninguém nos pode substituir na relação dialógica com um livro. Para mim foi uma leitura muito útil porque, certamente, repararam na forma como consegui falar deste livro sem nunca o ter lido. Experimentem também!
Na linha desta reflexão, não resisto a contar-vos uma história à maneira da boa tradição judaica e que é um diálogo entre Albert Einstein e a sua segunda mulher:
«- Albert, querido, toda a gente fala muito acerca dos teus trabalhos científicos, mas eu sinto-me uma ignorante quando confesso que não sei nada acerca dessas teorias. Não te importas de me dar umas explicações?
Responde Einstein:
-'mor, quando te perguntarem alguma coisa sobre isso, dizes simplesmente que sabes tudo acerca das minhas teorias, mas que não podes falar sobre elas porque se trata de um segredo de Estado!» Voilà!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Chegámos ao espaço...



O Centro de Recursos Poeta José Fanha cresceu e chegámos ao mundo virtual!Escolhemos a data propositadamente, pois hoje assinala-se o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, subordinado ao tema “Aprender mais e melhor na Biblioteca Escolar”. A International Association of School Librarianship (IASL), uma associação internacional que se ocupa de questões ligadas à biblioteconomia escolar, comemorou esta efeméride pela primeira vez em 1999. O objectivo é chamar a atenção para a importância das Bibliotecas Escolares no processo de ensino-aprendizagem e, afinal, as Bibliotecas Escolares também merecem um dia, não é?
À semelhança do que acontece noutros países do mundo inteiro, ao longo da semana decorrerão na escola algumas actividades com o intuito de assinalar a efeméride. Além do início do blogue, destacamos o facto de, pelo quarto ano, lançarmos o projecto alunos-monitores; o recital com o nosso patrono que terá lugar amanhã e, aproveitando o tema proposto, os alunos receberão, em Área-Projecto um marcador com indicações acerca da realização de trabalhos – uma das tarefas que mais desenvolvem no seu percurso escolar.
Com este blogue pretendemos divulgar eventos que vamos promovendo, chamar a atenção para determinadas questões, partilhar leituras (em suportes diversificados), transmitir-vos informações úteis e tudo o mais que se verá… Até porque contamos, desde já, com os vossos comentários (em particular da comunidade escolar), pois este é o NOSSO blogue!
O horário foi alargado e, agora, o Centro de Recursos Poeta José Fanha passou a estar aberto a todas as horas – aguardamos a vossa visita!