sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Encerramento da exposição "Pelos Caminhos de Torga"
Desejamos ter aguçado a vossa curiosidade em relação à obra do autor e, para isso, podem ser passar pelo nosso Centro de Recursos e requisitar uma das suas obras.
Entre aquelas que estiveram em destaque, relembramos obras como: Bichos, Novos Contos da Montanha, Diário e O Senhor Ventura (com a particularidade de termos uma obra com a versão portuguesa e chinesa, pois esta é a história de um português que visita a China) e a sua Antologia Poética. A Câmara Municipal de Coimbra ofereceu-nos também a Fotobiografia, da autoria da sua filha e o álbum O Calvário do Poeta.
Como disse a Fanni num dos recitais, "os poetas não morrem"!Esta foi a nossa homenagem.
Finalizamos, entrando na época natalícia com um poema de Miguel Torga.
Retábulo
Estranho Menino Deus é o dum poeta!
O que nasce e renasce há muitos anos
Na minha noite de Natal, fingida,
Mal corresponde à imagem conhecida
Das sucursais do berço de Belém.
É uma criança tímida que vem
Visitar os meus sonhos, e, ao de leve,
Com mãos discretas, tece
Um poema de neve
Onde depois se deita e adormece.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Frankenstein (1931)
A nossa atitude para com a tecnologia é um dos nossos mais marcantes paradoxos. A nossa dependência na tecnologia nunca foi tão marcada como na nossa época contemporânea, em que as tecnologias avançadas fazem já parte do nosso dia-a-dia. Por outro lado, temos um medo quase visceral da tecnologia e da ciência que lhe está subjacente. O nuclear traz consigo o horror do apocalipse. Os ubíquos e inestimáveis telemóveis, sem os quais ninguém passa, têm a si associado o medo dos perigos inomináveis das radiações.
Frankenstein é uma das obras que aborda esta dicotomia entre o progresso desmedido e os seus potenciais horrores, tornada ainda mais valiosa pela sua precocidade - Mary Shelley escreveu a obra clássica nos princípios do século XIX, quando a revolução industrial estava nos seus primórdios e o impacto da ciência no dia a dia era muito reduzido. Não por acaso, o subtítulo de Frankenstein é The Modern Prometheus - Victor Frankenstein é amaldiçoado pelas consequências dos seus actos desmedidos, tão amaldiçoado como o monstro fruto do seu acto criador, condenado à perseguição pelas turbas que erradamente vêem nele o mal. Note-se que, ao contrário do que se pensa, o monstro não tem nome; Frankenstein é o cientista que persegue a ciência sem limites. No filme, de forma simplista, esta questão moral é resolvida de forma a que a hubris e a loucura de Henry Frankenstein são perdoáveis, mas o monstro é considerado um verdadeiro monstro. Mesmo assim, o tom continua ambíguo - a personagem de Henry Frankenstein oscila entre a obsessão, o orgulho desmedido, e o arrependimento pelos seus actos, enquanto o monstro, apesar de mostrado como um antigo criminoso, é uma massa disforme torturada por Fritz, rejeitada pela humanidade, e com os atributos de um atrasado mental. Henry Frankenstein coloca-se acima do bem e do mal, enquanto o monstro é colocado abaixo do bem e do mal.
Frankenstein é um filme repleto de cenas memoráveis. O início do filme marca logo o tom tenebroso da história, com um funeral filmado em tons góticos. A cena em que Frankenstein dá vida ao monstro é a clássica cena do laboratório do cientista louco, inspirada no laboratório de Rotwang em Metropolis, levada aqui ao exagero com uma profusão de equipamentos de aspecto tecnológico e os inimitáveis geradores van de graaff a faíscarem. Esta é sem dúvida a cena mais icónica do filme, copiada e glosada em números filmes. A cena é de uma moralidade extremamente ambígua, tendo em conta o filme. Sem medir as consequências do seu acto, o monstro atira a rapariga para um lago, matando-a. A ambiguidade é óbvia: o monstro, perseguido e odiado, é castigado pelos seus actos, sem que no entanto tenha a capacidade mental para medir as consequências dos seus actos. Ao ver que a rapariga se afoga, o monstro, incrédulo e incapaz de saber o que fazer para a salvar, foge, assustado. Na oposição perfeita, Henry Frankenstein é perfeitamente capaz de medir as consequências dos seus actos, mas coloca-se acima do bem e do mal, não sendo castigado pela sua ambição e perseguindo o fruto do seu trabalho.
No clímax final, o monstro confronta o seu criador no moinho, e é destruído pelas chamas ateadas pela turba de archotes em punho. A cena desvance-se no preto do ecrã, enquanto o moinho em chamas gira ominosamente. O final é ambíguo, remetendo para o sul americano, para o Klu Klux Klan com as velas em forma de cruz do moinho a arder.
Jack Pierce, o director de caracterização dos estúdios Universal, superou-se com a criação do monstro icónico - a imagem do monstro de Frankenstein foi para todos os efeitos fixada neste filme, num ícone tão poderoso que passou a encarnar o espírito da obra. Ao ícone só faltava um actor que o animasse - Bela Lugosi recusou o papel, e Boris Karloff animou o monstro, criando história do cinema.
Icónico e inspirador, Frankenstein é um filme ambíguo, que transformou uma personagem num mito e que influenciou incontáveis obras posteriores. A passagem do tempo não envelheceu o filme, que ainda hoje, na era dos maravilhosos efeitos digitais acoplados a inteligentes argumentos (no melhor do cinema), continua uma obra fascinante e inspiradora.
Requiem por mim...de Miguel Torga
Aqui fica o som de um poema de Miguel Torga lido pelo patrono do Centro de Recursos, o poeta José Fanha.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
(Miguel Torga)
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Miguel Torga no universo virtual
Com um grafismo interessante, apresenta a seguinte estrutura:
- Adolfo Rocha: Infância e Juventude
- Miguel Torga: Maturidade e Velhice
- Antologia
- Galeria de Imagens
- Bibliografia
- Ficha técnica
http://purl.pt/13860/1/index.html
domingo, 25 de novembro de 2007
Recital "Cem anos de Torga"
.jpg)
"Cem anos de Torga" celebraram-se num recital que promovemos na passada quarta-feira (21/11) no nosso espaço, no âmbito da exposição "Pelos caminhos de Torga". O público foi constituído pelas turmas do 9.ºB e 9.ºD. Na próxima quarta-feira repete-se para as restantes turmas.Foi um momento bonito, sublinhando que os escritores não morrem, pois a sua obra perpetua-os.
Nesta festa contámos com o contributo do Professor José Vaz (um profundo admirador e conhecedor de Miguel Torga) que nos falou acerca do homem, revelando episódios curiosos e sublinhando a grande humanidade do autor. José Fanha leu-nos diversos poemas do poeta, sendo um dos momentos mais curiosos aquele em que recitou o poema "Limoeiro", no qual "namora" de forma divertida com uma árvore que avistava do seu consultório. A Fanni (Fernanda Frazão), uma "voluntária das palavras" que conhecemos recentemente, divertiu-nos com a bela leitura que fez do conto "Nero". A professora Jacqueline Duarte destacou algumas passagens dos "Diários" que Torga redigiu ao longo de 50 anos, nomeadamente uma em que se refere ao Convento de Mafra.
A finalizar, José Fanha leu o poema "Requiem", no qual o autor se despede dos seus leitores. Todavia, para não incutirmos um tom demasiado triste ao momento, terminámos lembrando que, afinal, tínhamos estado em festa colectiva (com um público à altura da ocasião). Como escreveu Miguel Torga, "Ninguém é feliz sozinho, nem mesmo na eternidade."
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Tributo a Miguel Torga (II)
A UM NEGRILHO
Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
é nos seus olhos que se vê pousada.
Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!
Diário VII
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
5- «A reciclagem do gato»

4- A Matilde foi dormir. -Mééééééé-Disseram os carneiros.
À noite foi difícil adormecer. Segui os conselhos da Catarina e contei carneiros a saltar a cerca. 1 carneiro...2 carneiros...3 carneiros...4 carneiros e, upa! A um dado momento, ficou tudo uma confusão; os carneiros começaram a cair e a tropeçar e a fazer batota e a passar por baixo da cerca o que provocou uma rebelião entre os carneiros. Tanta era a azáfama que só adormeci quando o dono da quinta fechou o portão. Ufa...estava difícil! ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZAs "Palavras Andarilhas" estiveram na nossa escola!
Hoje, às 10h30m, a Estafeta de Contos "Palavras Andarilhas" passou pelo nosso Centro de Recursos. Quem recebeu o testemunho foi a turma 5.º A.
O que é a Estafeta de Contos?
É uma actividade organizada pela Biblioteca Municipal de Beja, há 9 anos. As instituições que se inscrevem recebem, no dia agendado, os contadores e promovem uma sessão de contos no seu espaço. No dia seguinte, quem acolheu envia os seus contadores à instituição seguinte. A ligação entre sessões é feita através de um testemunho – livro de contos – que se recebe e se entrega.
Quanto tempo dura a Estafeta?
Na última edição a estafeta durou três meses e percorreu 72 instituições de Norte a Sul do país. Este ano teve início, como sempre, em Setembro, na cidade de Beja e terminará no próximo mês de Março, na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Há quanto tempo participa o Centro de Recursos Poeta José Fanha nesta estafeta?
A nossa escola participa pelo quarto ano.
Este ano acolhemos a contadora Maria Helena Veiga (Milé), que veio do Jardim de Infância Beça Rias, Viedrosa. Vêem-na na foto a contar histórias.
Amanhã, em representação do Centro de Recursos Poeta José Fanha, as professoras Maria João Silvestre e Jacqueline Duarte contarão histórias na Biblioteca Municipal de Alcochete.
Na segunda foto vêem todas as contadoras (incluindo a Fanni, uma amiga que conhecemos recentemente, e que também nos ofereceu uma história) que participaram na sessão. Connosco esteve também o pequeno Pedro (filho da Professora Maria João), que foi um ouvidor exemplar!
“Papagaio”
Há palavras
feitas p´ra voar
num céu de Maio.
Leves palavras
ao colo do vento,
construídas
com o papel
colorido
dos teus sonhos.
Tomas uma
e soltas o fio
que a prende
à tua mão.
E a palavra
ganha asas,
eleva-se no ar
com o seu longo
ditongo
voador.
Até encontrar,
no mais alto
de ti mesmo,
um lugar
imenso
para morar.
Palavra que voa, João Pedro Mésseder
(Texto que, este ano, abre todas as sessões da estafeta. O livro está disponível no Centro de Recursos.)
«Banho ao Gato»
Houve um dia em que decidi dar banho ao Seara. O meu gato chama-se Seara porque quando se irrita parece uma espiga eriçada de trigo. Todos os adultos estavam ausentes e como estavamos os dois fartos de estar em frente à lareira a ver televisão, decidimos ir pintar com os guaches para o quarto do Afonso (que é o meu irmão). Distraído e desobediente o Seara não parou quieto e Zás! Entornou o copo, pisou a paleta de cores e ficou todo esborratado. Antes que alguém viesse para casa, lá fui eu com o estouvado do meu gato para a banheira. Uma coisa que eu não sabia e que fiquei a saber é que os gatos não gostam de água e que a casa de banho pode ser o local mais perigoso do mundo. Sabem o que é que aconteceu? O Seara começou a miar, a miar cada vez mais alto! Agarrou-se aos cortinados de plástico na tentativa de fugir da água e da espuma branca e com as unhas rasgou-os ao escorregar por eles abaixo. O sabão caiu no chão. O Seara ainda a miar e a espernear saiu que nem um doido a correr da casa de banho. Na tentativa de o apanhar, pisei o sabão, escorreguei, perdi o controle do chuveiro que tinha na mão, bati com a cabeça no bidé e meia atordoada fiquei assim no chão até se formar uma montanha gigante de espuma. Quando acordei estava eu já deitada na minha cama com um galo na cabeça. O gato levou umas chineladas no rabo e o papá proibiu-me de voltar a mexer nas tintas e a entrar no quarto do meu irmão. Proibiu-me também de estar com o gato porque segundo ele, gatos e galos não se dão bem! Fiquei de castigo... O que é que se faz quando se está de castigo? Se tiveres uma ideia...2001
2001, realizado em 1968 por Stanley Kubrick, é um filme complexo que se presta a muitas interpretações. Há quem o despreze, considerando o filme como mais um desperdício de celulóide às voltas com viagens espaciais e o destino do homem. Há quem o considere uma experiência religiosa. 2001 é um filme carregado de poderosas imagens visuais. Quase não tem um enredo, e os diálogos são esparsos e estranhamente banais. Mais do que simplesmente contar uma história de ficção, 2001 parece pretender que durante o tempo de duração do filme os espectadores se coloquem questões profundas sobre o nosso destino e o nosso universo. A ligação é clara – neste filme, a ficção científica é mais do que uma história sobre naves espaciais, é do sonho do homem que se trata.
2001 é tecnicamente um filme perfeito, com efeitos especiais fabulosos, criados numa época em que a ideia de animação digital não passava de um sonho. A sincronia entre a música e as imagens é perfeita, com o bailado espacial ao som do Danúbio Azul a reforçar esta ideia. E, coisa rara até nos melhores filmes de ficção científica, é científicamente correcto. O aspecto das naves espaciais, a concepção da estação espacial, as bases lunares - tudo é verosímil, e espelha os projectos de exploração espacial dos anos sessenta. 2001 projecta efectivamente no futuro, um futuro próximo, o mundo futuro imaginado em 1960. Para mais, em todos os segmentos passados no espaço, há uma constante: o silêncio. O espaço é um vácuo - nele não se propaga o som, e não há particulas que difusam a luz. O espaço é negro e silencioso. Não há um violento tonitruar dos potentes motores da nave.
O filme inicia-se com a memorável sequência da alvorada da humanidade, onde assistimos ao dealbar da inteligência humana, para em seguida pulverizar milhares de anos de história humana, com um corte admirável - num instante, vemos um australopiteco a lançar no ar um osso, a sua arma, e no instante seguinte vemos uma nave espacial a afastar-se na órbita terrestre. A nave é uma arma nuclear orbital, e a implicação é óbvia - milhares de anos de história humana e no fundo ainda somos macacos agressivos. Neste filme, Kubrick mima-nos com a mais bela cena do cinema de ficção científica - a aproximação da nave aero-espacial que transporta passageiros e cientistas até uma base espacial toroidal e o seu transbordo para um voo translunar que aterra na base lunar. Ao longo de todo o filme um monólito misterioso é omnipresente - artefacto criado por alienígenas desconhecidos, exerce uma estranha influência sobre a humanidade. Investigar o desconhecido leva o homem para lá das fronteiras do seu ser.
2001 é também famosos pelo personagem HAL 9000, o computador inteligente, o mais humano dos personagens do filme, que mostra os seus sentimentos, que erra e que entra em depressão nervosa devido às suas falhas.
Neste filme entramos firmemente em território filosófico. Só no meio do vazio espacial, o astronauta sobrevivente entra a bordo de um módulo de exploração, e parte em direcção ao monólito. Aí, tudo nos é recusado. O tapete é retirado debaixo dos nossos pés. Tudo o que esperávamos não se concretiza, e o que vemos ultrapassa as fronteiras da nossa imaginação. Os vinte minutos seguintes são um espectáculo psicadélico e abstracto de luz e cor. Quando tudo estabiliza, o astronauta vê-se e é o seu futuro. A sua morte origina um novo ser, uma criança das estrelas, um feto consciente que se aproxima do planeta terra. Apesar de mal termos gatinhado para fora do nosso planeta, o nosso destino é claro - expandir a nossa inteligência e o nosso conhecimento, transmutando-nos como espécie através do espaço galáctico.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Tributo a Miguel Torga
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão.
Diário I
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Grandes navegações... em segurança!
Mas enquanto estiverem a navegar, não se esqueçam de o fazer com regras de segurança:
-> Não divulgem os vossos dados pessoais, como nomes, moradas e números de telefone a estranhos.
-> Tenham cuidado com as fotografias que colocam na net, não coloquem nada que vos seja embaraçoso
-> Não marquem encontros com desconhecidos.
-> Tenham cuidado com os downloads. Lembrem-se que os artistas, os músicos e os criadores de programas de computador têm direito a ser compensados pelo seu trabalho.
Sempre que tiverem dúvidas sobre alguma coisa ou sobre alguém que encontrem na net, não tenham medo de colocar as dúvidas aos vossos pais ou aos vossos professores.
Naveguem bem, aproveitem esta vasta rede!
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Exposição "Pelos Caminhos de Torga"


sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Cem anos de Torga
Simultaneamente, no Centro de Recursos encontram, em destaque, um conjunto de obras deste autor português.
Aguardamos a vossa visita!
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Metropolis
Realizado por Fritz Lang em 1927, Metropolis conta com o argumento de Thea Von Harbou, mulher de Lang e quase levou à falência os mega-estúdios UFA, que o produziram. Os cenários fabulosos do filme, os seus efeitos especiais e os milhares de figurantes necessários para dar vida a Metropolis custaram cerca de sete milhões de marcos, tornando este no filme mais caro da época
A montagem do filme escapa ao padrão de palco filmado da época - as cenas são rápidamente entrecortadas, dando ao filme um ritmo visual alucinante que nos leva a mergulhar na loucura que é Metropolis.
Metropolis é um filme de imagens memoráveis: as imagens de uma cidade fabulosa onde as máquinas pareciam reinar, com fabulosos arranha-céus e estradas por onde circulavam veículos quilómetros acima da superfície, as imagens de máquinas implacáveis servidas por homens escravizados; a alucinação em que a máquina-mãe de Metropolis surge como uma encarnação do deus Moloch, que devora os operários nas suas chamas; todas as cenas em que somos levados a vislumbrar magníficos fragmentos da cidade gigantesca; a cena em que o homem opera a máquina, rodando os ponteiros do relógio, imagem quintessencial do homem escravizado à máquina; a cena em que Rotwang dá vida ao robot Maria, protótipo de todas as cenas de todos os filmes em que um cientista louco poem em movimento aparatos tecnológicos insondáveis para dar vida a criaturas monstruosas no meio de uma tempestade de electricidade; o final assombroso do filme, com a cidade a dissolver-se numa orgia de ferro e fogo filmada alucinantemente em míriades de pontos de vista que se sucedem num ritmo implacável.
Metropolis é uma obra fundamental do cinema, a influência por detrás de filmes como Blade Runner (andróides e uma Los Angeles visualmente metropolitana), Star Wars (o simpático C3PO foi directamente inspirado na andróide Maria), 2001, Dr. Strangelove, Minority Report e tantos outros filmes que nos levam a imaginar e reflectir o futuro.
Alunos-monitores em acção!
Portanto não estranhem, pois encontrarão, devidamente identificados, um conjunto de alunos disponíveis para vos ajudarem.
Lá diz o provérbio "ajuda-me que eu te ajudarei..."
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Outono
domingo, 11 de novembro de 2007
Porque hoje é dia de S. Martinho
Ingredientes:
6 ovos
300 gr. de açúcar
200 gr. de farinha
1 colher de chá de pó Royal
1 colher de sopa de mel
1 cálice de vinho do Porto
1 pacote de natas
½ copo de óleo
Martinho de Tours nasceu em 316 na Alta Panónia (Hungria); em 331 alistou-se no exército romano; em 339 deixou o exército e juntou-se a Stº. Hilário de Poitiers; em 372 foi nomeado bispo de Tours; em 397 morreu em Candes, perto de Tours. Mais de 2000 monges acompanharam o seu corpo no regresso a Tours.
Dia de festa: 11 de Novembro
Padroados: pobreza; soldados; cavalos; cavaleiros; gansos; viticultores.
Emblemas: globo de fogo; gansos.
No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Exposição no átrio da escola
Apreciem como, afinal, nas Bibliotecas Escolares também se festejam anive
rsários!
Sonharão os Andróides com Carneiros Eléctricos?
A Ficção Científica tem gerado inúmeras obras literárias marcantes, mas quando chegou ao cinema deu origem a poucos filmes marcantes. Talvez seja uma consequência do efeito Star Wars, com a sua ênfase nas aventuras implausíveis no espaço, ou o legado dos deliciosamente maus filmes de série B. Ou, talvez, o meio visual fique aquém da imaginação - as melhores obras de FC são aquelas que nos estimulam a imaginação, que nos levam a sonhar e a congeminar na nossa mente os mundos descritos pelo escritor. Mas o cinema, dependente do visual, retira-nos essas opção. Ao deslumbrarmo-nos com cenários de tirar o fôlego e conceitos visuais futuristas, quedamo-nos a admirar a beleza visual, e perdemos o prazer de imaginar.
É este o aspecto que mais fascina em Blade Runner. Baseado de forma muito livre no romance Sonharão Os Andróides Com Carneiros Eléctricos de Philip K. Dick, este é um filme de estonteante visual futurista, fruto da colaboração entre gurus da arte aplicada e dos efeitos especiais como Syd Mead, conceptualizador dos cenários futuristas, e Douglas Trumbull, génio dos efeitos especiais por detrás das imagens fascinantes de 2001. É este o elemento que nos apaixona pelo filme, os cenários minuciosamente detalhados, as visões quase dantescas de um mundo futuro, ultra-urbanizado, onde os fogos ímpios da indústria iluminam o céu negro de poluição. A cuidadosa conceptualização da sociedade futura originou a visualização de um mundo fascinante e verosímil, onde as tecnologias do futuro estão presentes mas não o condicionam - o velho e o novo coexistem no dia a dia, tal e qual como o fazem no nosso dia a dia. Filme dos anos 80, optou pela conceptualização do perigo japonês, projectando uma sociedade futura onde a estética asiática nipónica pervade o mundo americano. Se Blade Runner tivesse sido conceptualizado hoje, os cenários teriam mais a ver com uma chinatown do que com a eficiente mistura de arquitectura urbana americana com as visões de uma Tóquio utópica. Com a dose obrigatória de Metropolis, filme cujos cenários são uma referência obrigatória para Blade Runner.
O mundo é detalhado, cuidadosamente controlado para nos fazer entrar no mundo do filme, mas não visualiza um futuro utópico, limpo e positivo. A sublinhar a degradação permanentemente presente no filme está uma chuva recorrente, que torna mais sombrias as exóticas ruas da Los Angeles do futuro. Os acessórios futuristas, os carros voadores, as maquinarias, as armas, os veículos, não são visões aerodinâmicas de perfeição tecnológica, mas antes objectos disformes, cheios de protuberâncias inestéticas. O futuro é desolador.
Complexo e inquietante, Blade Runner é um filme marcante pelo seu conjunto - desde as temáticas às interpretações dos actores, sem esquecer a banda sonora assombrosa de Vangelis (muito datada mas em perfeita consonância com as imagens) e os cenários detalhados que nos tiram o fôlego. A paixão que este filme desperta pode ser resumida na evocação das cenas em que contemplamos a metrópole futura, onde dos arranha-céus pendem ecrãs gigantes onde os anúncios se entrecortam com rostos de gueixas, onde sobre a vitalidade das ruas desoladoras pende sempre a promessa de um mundo melhor fora do planeta, promessa suspensa sobre dirigíveis suspensos sobre cabos que apregoam as delícias dos outros mundos sem que nunca nos deixem o vislumbre da sua beleza anunciada, deixando-nos cativos da nossa busca nas profundezas das ruas desoladoras.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007

É aqui que eu moro. Quando quiseres podes vir até cá ... Foi o Archizero que desenhou a minha casa. Está muito engraçada. Só fica complicado de morar aqui quando o mundo dá voltas e fica tudo às avessas! Gosto muito da minha árvore e das poças de água que a chuva forma quando cai... Eu gosto muito, muito de ver as rãs verdes a saltar nelas e a fazerem acrobacias.

Olá! Eu sou a Matilde. Vou tentar ser uma participante e visitante assídua deste blog. De vez em quando virei contar-vos histórias, novidades e meter a conversa em dia! Vejam o meu perfil. Até breve...
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Ciências da Educação
E andam os estrategas do eduquês a encher quantas bibliotecas há com teorias sobre o insucesso escolar e outras iliteracias, quando a solução é tão simples: nada perguntar e nada avaliar. E assim, se ninguém lhes perguntar, todos os alunos serão especialistas em Línguas, Filosofia, História e Teoria da Relatividade. Este Santo Agostinho! Sempre à frente do seu tempo! Recomendo este livro à Senhora Ministra da Educação, se é que não o leu já!
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Ler é perigoso!
pois temos inúmeras novidades. E para todos os gostos!
Livros da Alice Vieira e do António Torrado, inspirados em Macau.
Uma obra acerca das bandeiras portuguesas.
Uma colecção de guias informáticos acerca de diversos programas informáticos.
Uma obra do escritor português recentemente trasladado para o Panteão Nacional -
O Malhadinhas, de Aquilino Ribeiro.
E um novo título - SURPRESA - como Livro de Prateleira.
Já sabem...
Em 2007 / 2008 só lê quem é afoito!
TV e leitor de DVD indisponíveis
Ficamos à vossa espera!
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Site do Mês...
(Fonte : http://www.salves.com.br/fotos/sol.JPG)Corre neste tempo, a urgência de adaptarmos os nossos hábitos para que o seu impacto, neste planeta, em termos de preservação de recursos energéticos e efeitos estufa, resultantes das emissões de gases com efeito nocivo, nomeadamente o CO2, lhe sejam menos prejudiciais e por consequência também à subsistência de ecossistemas e, assim sendo, a toda a vida.
sábado, 3 de novembro de 2007
Chopin e Eu

Título: Marley e Eu
Autor: John GROGAN
Editora: casa das letras
Ano: 2006 (1ª ed.)
Hoje não venho falar-vos de música, mas sim de cães. É que ando a ler um livrinho que é a história atribulada de um cão e da família que, acidentalmente, o acolheu. Não preciso de o acabar para vos falar dele (lembram-se do post sobre "Como falar dos livros que não lemos?" ?). Pois o nosso herói é um cão labrador (chamado Marley) com um ou vários parafusos a menos, desobediente e caótico até ao tutano; o livro, não sendo nem pretendendo ser, uma pérola literária, reflecte muito bem este temperamento canino, numa cadência e vertigem que nos tira o fôlego. É que, definitivamente, não se trata de um cão normal, pois são tantas e tais as suas tropelias e desventuras que não resistimos à ternura da sua irresponsabilidade, da sua lealdade e da sua amizade.
Estou a divertir-me e a gostar de ler por isso e, também, porque já tive um cão parecido com este. Chamava-se Chopin e era também labrador.
Tal como o Marley, tinha vários parafusos a menos (assim como eu) chegando por vezes a roçar o lunático. Em termos de obediência é melhor estar calado; ao seu lado nunca sabíamos o que aconteceria a seguir, apenas que não se augurava nada de bom. Destruiu muita coisa cá por casa: a roupa do estendal, almofadas, móveis, livros e revistas (tinha o péssimo hábito de rasgar as coisas depois de as ler) e tudo o que encontrava ao alcance do dente. Quando não tinha nada para roer, roía a própria casota, a começar pelo interior. Quem tem um cão, mais ou menos maluco, sabe do que estou a falar...
Mas, tal como o seu irmão Marley, o Chopin era de uma energia e alegria contagiantes e inesgotáveis. Duma lealdade e entrega sem limites. Foram várias as horas que passei a brincar com ele, principalmente nos montes, onde ele se divertia, como bom cão de busca, a ir apanhar e trazer um pau que eu atirava para o meio da vegetação. Manifestava exageradamente o seu afecto por conhecidos e desconhecidos (principalmente crianças) e isso notava-se na baba que deixava na roupa e nos rostos. Os únicos e raros momentos de repouso que tinha, gostava de os passar junto da lareira (no inverno, lá na terra) esticado como um lord; aí, que ninguém se metesse com ele! Nem nós queríamos. Morreu em Trás-os-Montes, onde também foi muito feliz e onde acabou por ficar, atropelado por um carro. Ao contrário de Marley, era ainda muito jovem e sendo um cão do século XXI, parece ter ido buscar o seu lema de vida aos loucos anos 60 do século passado: "morrer jovem, mas viver intensamente". Deixou-nos muitas saudades.
Eu não sei se há um paraíso para cães, mas se houver e o Marley e o Chopin lá se encontrarem, deixa de haver. Pelo menos para os outros. Recomendo este livro a todos os que gostam de animais em geral e de cães em particular.
Era assim o meu cão. Obrigado Chopin. So long!
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Livro de Prateleira
Esta frase é retirada do nosso Livro de Prateleira(em destaque no balcão de atendimento). Deixo-vos uma pequena apresentação...

Dois jovens primos e grandes amigos separam-se depois das longas férias do Verão. Mas as novidades são tantas que para se manterem em contacto um com o outro recorrem às cartas, numa espécie de livro-diário, onde contam tudo o que lhes acontece. Nesta troca de correspondência encontram acidentalmente uma estranha carta caída da mala da Lilli dos Livros, com indicações misteriosas que os dois jovens vão investigar…Uma descoberta ou um reencontro com o mundo dos livros, desde os mais antigos até aos mais actuais, onde se revelam a todos os leitores importantes características das diferentes épocas do livro.
A Biblioteca recomenda-vos um livro acerca de Bibliotecas...
Está à vossa espera para ser requisitado!
Em 2007 / 2008 só lê quem é afoito!
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Beati Pacifici

Já que o Artur na véspera do feriado de Todos os Santos andou por aí a aterrorizar criancinhas buliçosas e a fugir de estacas afiadas e dentes de alho, permitam-me que vos relembre que os cristãos Católicos e Anglicanos festejam hoje a memória de Todos os Santos com uma liturgia especial. Segundo a teologia, os Santos constituem a parte triunfante e gloriosa da Igreja que já beneficia da bem-aventurança eterna, intercedendo, permanentemente, pela Humanidade.
E por falar em bem-aventuranças, aqui vos deixo um excerto do Evangelho de hoje, mas em latim:
«Beati pauperes spiritu, quoniam ipsorum est regnum caelorum.
Beati, qui lugent, quoniam ipsi consulabuntur.
Beati mites, quoniam ipsi possidebunt terram.
Beati, qui esuriunt et sitiunt iustitiam, quoniam ipsi saturabuntur.
Beati misericordes, quia ipsi misericordiam consequentur.
Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt.
Beati pacifici, quoniam filii Dei vocabuntur.
Beati, qui persecutionem patiuntur propter iustitiam, quoniam ipsorum est regnum caelorum.»
Secundum Matthaeum 5, 3-10
Bom feriado de Todos os Santos!


