sábado, 3 de novembro de 2007

Chopin e Eu








Título: Marley e Eu
Autor: John GROGAN
Editora: casa das letras
Ano: 2006 (1ª ed.)

Hoje não venho falar-vos de música, mas sim de cães. É que ando a ler um livrinho que é a história atribulada de um cão e da família que, acidentalmente, o acolheu. Não preciso de o acabar para vos falar dele (lembram-se do post sobre "Como falar dos livros que não lemos?" ?). Pois o nosso herói é um cão labrador (chamado Marley) com um ou vários parafusos a menos, desobediente e caótico até ao tutano; o livro, não sendo nem pretendendo ser, uma pérola literária, reflecte muito bem este temperamento canino, numa cadência e vertigem que nos tira o fôlego. É que, definitivamente, não se trata de um cão normal, pois são tantas e tais as suas tropelias e desventuras que não resistimos à ternura da sua irresponsabilidade, da sua lealdade e da sua amizade.
Estou a divertir-me e a gostar de ler por isso e, também, porque já tive um cão parecido com este. Chamava-se Chopin e era também labrador.
Tal como o Marley, tinha vários parafusos a menos (assim como eu) chegando por vezes a roçar o lunático. Em termos de obediência é melhor estar calado; ao seu lado nunca sabíamos o que aconteceria a seguir, apenas que não se augurava nada de bom. Destruiu muita coisa cá por casa: a roupa do estendal, almofadas, móveis, livros e revistas (tinha o péssimo hábito de rasgar as coisas depois de as ler) e tudo o que encontrava ao alcance do dente. Quando não tinha nada para roer, roía a própria casota, a começar pelo interior. Quem tem um cão, mais ou menos maluco, sabe do que estou a falar...
Mas, tal como o seu irmão Marley, o Chopin era de uma energia e alegria contagiantes e inesgotáveis. Duma lealdade e entrega sem limites. Foram várias as horas que passei a brincar com ele, principalmente nos montes, onde ele se divertia, como bom cão de busca, a ir apanhar e trazer um pau que eu atirava para o meio da vegetação. Manifestava exageradamente o seu afecto por conhecidos e desconhecidos (principalmente crianças) e isso notava-se na baba que deixava na roupa e nos rostos. Os únicos e raros momentos de repouso que tinha, gostava de os passar junto da lareira (no inverno, lá na terra) esticado como um lord; aí, que ninguém se metesse com ele! Nem nós queríamos. Morreu em Trás-os-Montes, onde também foi muito feliz e onde acabou por ficar, atropelado por um carro. Ao contrário de Marley, era ainda muito jovem e sendo um cão do século XXI, parece ter ido buscar o seu lema de vida aos loucos anos 60 do século passado: "morrer jovem, mas viver intensamente". Deixou-nos muitas saudades.
Eu não sei se há um paraíso para cães, mas se houver e o Marley e o Chopin lá se encontrarem, deixa de haver. Pelo menos para os outros. Recomendo este livro a todos os que gostam de animais em geral e de cães em particular.
Era assim o meu cão. Obrigado Chopin. So long!

1 comentário:

Matilde Rebeca disse...

Diverti-me imenso a ler o teu texto... também tive uma cadela assim...era a Brenda de olhos azuis, uma raça austríaca. Era uma cadela de caça mas lambia os coelhos, comia fruta e cheirava as flores e roía-me os saltos dos sapatos...também morreu nova...se ela se encontrar com o Marley e o Chopin talvez até haja a hipótese de se divertirem pois com ela ninguém morria de tédio e ela era uma defensora nata dos direitos dos animais... nunca comeu os cágados e as tartarugas que andavam lá no quintal... nem atacou o peixe ou meteu-se com o piriquito que era assim um espécie de «pavaroti»...Éh! Os três deviam ser mesmo uma bela equipa...