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domingo, 29 de novembro de 2009

Fronteiras

Neste natal surgiram nas televisões dois anuncios na televisão que sublinham como as fronteiras entre o real e o virtual, sempre algo ténues no espírito humano (Moura, 2009), se estão a fundir. Sentimos que as fronteiras entre os espaços reais e virtuais se esboroam, potenciadas pela tecnologia digital, e estes dois anúncios reflectem esse sentimento.



Eye Pet: este é um daqueles brinquedos que vai despertar resmungos sobre a desumanização das crianças. Um animal de estimação que "vive" dentro do televisor (na prática, dentro da memória de processamento da playstation) e que permite interacção através de objectos reais que se estendem ao espaço virtual. É uma pura aplicação de realidade aumentada, em que as acções do mundo real se estendem ao espaço virtual. No vídeo fiquei particularmente curioso com a capacidade de desenhar uma forma num papel, fazer a leitura com a câmara e poder transformar a forma rabiscada num objecto 3D manipulável. Não interpretaríamos a criatura virtual como um ser vivo, mas o potencial de interagir com o virtual utilizando os nossos gestos habituais em vez de objectos de interface é muito promissor. Imagine-se: escrever num dcoumento sem utilizar um teclado, manipular um ficheiro utilizando os gestos manuais e não o rato/touchpad.



Mais interessante é a publicidade ao Wii Sports Resort, pelo conceito em que se baseia. O olhar do espectador é levando em círculos, alternando entre espaço virtual e espaço real. As cenas estão construídas de forma a que o espaço real pareça uma extensão do espaço virtual e vice-versa; um constante ciclo entre imaginário e realidade física com a máquina como interface de fronteira a servir de ponte entre as duas realidades. O que é real, o que não o é? Serão os bonequinhos coloridos os seres reais e nós a mera projecção das suas fantasias?

A ancoragem do espírito humano no real é discutível. Se fossemos realmente fãs do real, toda a construção de espaços imaginários que constitui o espólio da cultura humana - mitos, ficção, literatura, arte, música, não seria possível. A génese da realidade virtual está no nosso cérebro, na nossa capacidade de imaginar objectos, acontecimentos e espaços que não existem ou não aconteceram senão no espaço exíguo das nossas sinapses. A tecnologia digital está apenas a acelarar e a ampliar o espectro do possível dentro da fronteira entre o real e imaginário, e a fazer o impensável para outras tecnologias que representam e representaram, durante milénios, o virtual, como a linguagem oral e escrita, ou a linguagem plástica. Observar a capacidade de falar, escrever e representar graficamente como tecnologias parece contra-senso, mas não o é na medida em que permitem representar o virtual, o imaginário nas nossas mentes. O digital apenas trouxe a capacidade de interagir com os espaços virtuais. Escrevo "apenas" para olhar para lá do deslumbramento com o digital e recordar que um livro, um quadro ou um mito também nos mergulham num espaço virtual. Temos é de o reconstruir na nossa mente. O digital tira-nos essa reconstrução, mas amplia a capacidade de interacção e criação.

(As referências vão para os ensaios A Arte como uma nova filosofia natural: o explodir de novas fronteiras de Henrique Garcia Pereira, referindo "a hibridização do vivo com o artificial acaba com uma série de antigos dualismos, em especial a separação mente-corpo, que é uma herança de Descartes e que foi mantida viva durante séculos, para serivr de suporte intelectual ao capitalismo industrial." (p:50), e Vida 2.0: o novo paradigma da arte de Leonel Moura, que reflecte "a realidade virtual vem demonstrar que o nosso cérebro não faz distinção entre o mundo físico e o imaginado. Coisa que já sabíamos a partir dos sonhos, mas que adquire uma outra dimensão, fenomenológica, já que agora temos estes outros sonhos perfeitamente acordados." (p:44))

domingo, 22 de junho de 2008

Creature Creator

Spore

Para os aprendizes de ciência, fãs de jogos de simulação, amantes de brinquedos digitais e apaixonados pelas tendências de evolução do mundo digital, vida artificial, realidade aumentada, realidade virtual e as infinitas possibilidades da sociedade da informação, está prestes a sair um novo e viciante jogo: o Spore. A premissa do jogo é simples: fazer evoluir criaturas a partir do estado de organismo unicelular até à conquista do espaço. Apenas. O jogo está a ser criado por Will Wright, autor de alguns dos melhores jogos de sempre, como Sim City, Sim City Societies ou The Sims. Comum aos jogos de Will Wright está o gosto pela gestão de ambientes, a manipulação de variáveis e gestão dos seus resultados, e o brincar com sistemas complexos aprendendo lições que são úteis na vida real. Estes jogos são abertos, sem objectivos definidos, e desafiam o jogador a construir e a gerir mundos complexos. E são... viciantes, como bons desafios à inteligência.

Spore será aquilo que Sim Earth poderia ter sido se na altura em que foi criado a potência gráfica dos computadores fosse a de que dispomos hoje. Spore será um jogo que reúne elementos dos restantes jogos de Will Wright, simulando mundos desde a fase unicelular até à conquiista galáctica. Permite criar um ecossistema do microscópio ao macroscópio, fazer evoluir as criaturas e suas civilizações ao longo de cinco fases (Célula, Criatura, Tribo, Civilização e Espaço), e através da internet explorar e partilhar os mundos virtuais criados por outros jogadores. O interesse e a expectativa, são enormes.



O jogo estará disponível em Setembro. Até lá, experimentem o Creature Creator, que permite criar criaturas para o jogo. É muito interessante, permitindo-nos manipular seres virtuais em busca das melhores combinações de capacidades, elementos estéticos e formas biológicas. Podem encontrar uma galeria de simpáticas, estranhas, bizarras e divertidas criaturas criadas no Creature Editor.

(Cuidado: o Creature Editor é um download de 200 megabytes, e que ao instalar vai pedir a versão mais actual do DirectX, o que implicará outro download de mais 30 megabytes e uma verificação da legitimidade da vossa cópia do windows.)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Moblin


Moblinux
Colocado por archizero


Imaginem as potencialidades. Hipermobilidade, realidade aumentada, ligação ubíqua, cloud computing na palma da mão, em plataformas opensource. O overhyped iPhone 3G promete, mas não se baseia no software livre; o Symbian luta por evoluir, e o Android promete. Dê por onde der, e nisto das plataformas quanto mais melhor, desde que exista interoperabilidade (que a internet obriga), a tendência é para o fim da computação fixa. O desktop está em vias de extinção acelarada, o portátil evolui para o ultraportátil. O telemóvel... já deixou de ser um dispositivo de simples comunicação oral. Falar ao telemóvel está a tornar-se passè.

O video demonstra os conceitos do Mobile Linux. Tendências de evolução do mundo online.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Artes Digitais

Montagem dos trabalhos elaborados no computador por alunos de várias turmas da escola.

5º D


5ºF


Projecto Mais

domingo, 11 de maio de 2008

Popeye


Internet Archive | Popeye

Os nossos amigos mais jovens podem deliciar-se com os desenhos animados do Popeye, esse rude mas simpático marinheiro adepto do espinafre para ganhar forças e defender a sua amada Olívia Palito das depredações do bruto marinheiro Brutus. E como é que se chamava o amigo que só comia hamburguers?

O Internet Archive disponibiliza de forma legal e gratuita muitos dos desenhos animados do Popeye. É só clicarem. E já que estão no Internet Archive, podem explorar os seus arquivos de cinema (vão-se supreeender com a quantidade de filmes de longa metragem disponíveis) e de audio (experimentem as netlabels para ouvirem música na bleeding edge).

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Software a custo zero

A nova versão do Microsoft Office já anda por aí há algum tempo, mas... valerá a pena?

A suite de programas Microsoft Office é um software comprovadamente útil. Já não passamos sem o Word para escrever os textos, o Excel para dar uma ajudinha nas contas, e o Powerpoint para remixar texto e imagem com som e animações para criar apresentações que andam próximas do multimédia. Tornou-se essencial ao trabalho de professores e alunos, mas é um software caro: custa a partir de 131€, na licença de estudante. A solução habitual consiste em descobrir uma versão pirateware, recorrendo à cópia ilegal. É uma solução eticamente condenável, que pode trazer dissabores.



De qualquer forma, para quê pagar? Existem formas de ter, no nosso computador, acesso legal e gratuito a softwares de edição de texto, folhas de cálculo e apresentações. Uma delas é a instalação do Open Office, uma suite completa, semelhante ao Microsoft Office, mas de código-fonte aberto, desenvolvida por programadores voluntários. As primeiras versões do Open Office não impressionavam, mas as mais recentes são potentes alternativas ao software caro da microsoft. Para além de se assemelhar ao Word, Powerpoint e Excel, o Open Office abre todos os ficheiros produzidos por estes programas (e mais alguns). E custa.... 0€.

Podem fazer o download aqui da versão portuguesa aqui: pt: OpenOffice.org, para Linux, Windows e MacOS.

Mas ainda podemos ir mais longe. E que tal trabalhar num programa como o word, sem ter de o instalar? E que tal se em vez de se ter de ter os ficheiros essenciais armazenados numa pen, se pudesse trabalhar com eles em qualquer computador (e até telemóvel)? É possível: basta uma ligação à internet, um browser (o programa que utilizamos para navegar na net) e criar uma conta numa das muitas aplicações online.

As aplicações online são sites que se utilizam como programas. Fazem quase tudo o que os programas tradicionais fazem, e libertam o utilizador do computador pessoal - pode-se trabalhar em qualquer computador, desde que esteja ligado à net. Ainda permitem uma pequena maravilha: imaginem que tinham de fazer um trabalho com um ou mais colegas. Agora imaginem que todos podiam estar, cada um no seu computador, a trabalhar no mesmo documento, ao mesmo tempo. Em vez de perder tempo a discutir quem é que tem que passar o texto para o computador, todos podem estar a trabalhar num mesmo documento. Fazem maravilhas com trabalho colaborativo.

As aplicações online são o futuro do uso do computador. Surgem cada vez mais sites que permitem fazer de tudo, utilizando um só programa - o browser do computador. Para além disso, dão uma belíssima sensação de puro futurismo.



O Zoho é um verdadeiro office na internet. Tem de tudo, desde processador de texto a folha de cálculo, e ainda permite coisinhas engraçadas como wikis para páginas de grupos e criação de aplicações para os que gostam de programar. Trabalha-se no Zoho tal como se trabalha no Office, com a vantagem de todo o nosso trablho ser guardado na internet... acabam-se as pens e aquela sensação irritante de "em que pasta é que guardei o meu trabalho?"... e só custa o trabalho de criar uma conta no site.

O Google Docs não é tão completo como o Zoho, mas permite o essencial: processamento de texto, folhas de cálculo e apresentações. Tem o defeito de só gostar dos browsers Internet Explorer e Firefox (quem usa o Opera vê-se grego para usar o docs). O Google Docs vem de graça com uma conta de email no Gmail.

Será que vale mesmo a pena pagar pelo Office, ou recorrer à solução errada que é piratear o programa? Existem alternativas. E não custa nada, literalmente, experimentar.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Gloodle




Video realizado por um aluno do clube digital.

Na animação 3D o realismo é muitas vezes obtido através de complexos algoritmos que simulam no ecrã o movimento de partículas - poeiras, gotas de àgua, pelos.

Também podes experimentar a animação de partículas utilizando o Gloodle. O programa é limitado, só te permite criar e animar as partículas pré-definidas, mas é muito divertido de utilizar. Depois de pintares formas estranhas com as ferramentas de criação de partículas (com simetrias, linhas, formas geométricas) podes animar os resultados e gravar como video.

Experimenta:

Website do Gloodle (em inglês)
Download do Gloodle (em português)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Socorro!

Socorro! Preciso de mostrar uma apresentação na aula e o Powerpoint não reconhece o ficheiro! Preciso de imprimir um trabalho ou documento que produzi em minha casa no Word mas cá na escola não consigo abrir o ficheiro! Queria mesmo ver aquele video ou ouvir aquela música mas o meu computador não consegue abrir o ficheiro! Que fazer?

É um problema cada vez mais comum, especialmente agora que a nova versão do Office 2007 mudou a extensão dos ficheiros mais comuns de doc e ppt para docx e pptx, que não são reconhecidos pelas versões anteriores do Word e do Powerpoint que temos na escola.



Há maneiras simples de dar a volta a este problema. Podemos gravar o ficheiro num formato retro-compatível, utilizando a opção Guardar Como. Podemos utilizar uma suite de processador de texto, apresentações e folha de cálculo online. Ou então podemos utilizar um site que converta ficheiros de um formato para outro à nossa escolha.

O Google Docs e o Zoho são dois sites que substituem completamente o Office da Microsoft. Nestes sites, podemos fazer tudo o que fazemos no Word, no Powerpoint e no Excel, a custo zero e com a vantagem de sabermos sempre onde é que guardámos os nossos ficheiros... na internet!



Então e para resolver o problema dos trabalhos criados no Office 2007 que não se abrem nos computadores da escola? Aí podemos utilizar os conversores de ficheiros online. Basta ligar à internet, entrar nestes sites, enviar para lá o nosso ficheiro, escolher o formato que precisamos (de docx para doc ou pptx para ppt) e... descarregar o ficheiro convertido, pronto para ser impresso ou apresentado no computador.

O Zoho abre normalmente ficheiros do Office 2007. O Zamzar converte muitos tipos de ficheiros de imagem, video, audio e documentos. O Media Convert é um potente conversor de video e outros tipos de ficheiro.



Ou seja, quando aquele documento não abre, aquela imagem não se vê, aquele video não passa ou aquela música não toca, nada de entrar em pânico! Na internet encontramos solução para estes problemas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pequenos Artistas



Os Pequenos Artistas continuam a descobrir novas formas de expressão artística utilizando o computador. Vem ver o que eles estão a criar, visitando a galeria de trabalhos!



Pequenos Artistas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Zooks!

BBC | Bamzooki



O muito aguardado jogo Spore de Will Wright, criador do jogo SimCity, vai permitir aos jogadores jogar desde o nível celular ao nível universal, fazendo evoluir criaturas desde o seu ADN elementar até à expansão de sociedades e civilizações. A premissa do jogo é fascinante: criar mundos virtuais, aplicar regras de evolução biológica, desenvolver sociedades. Para além do mecanismo de jogo, o Spore vai ainda permitir que cada utilizador crie livremente as suas criaturas e as insira no jogo. Com as actuais capacidades computacionais gráficas, esperem por um editor de criaturas que permita criar criaturas com aspecto e movimentos realistas. Infelizmente, a chegada do jogo ao mercado só está prevista lá para setembro, embora os criadores do jogo prometam que o editor de criaturas esteja disponível para download muito em breve.



Até lá, divirtam-se com os Zooks.

Zooks? Que coisa estranha é essa? Zooks são criaturas insectóides que podem ser criadas a partir de "peças" montadas à vontade do utilizador. O programa que permite criar Zooks, o Zook Kit, é intuitivo. É muito fácil criar um insecto: basta modelar o corpo, adicionar membros, e clicar na animação para ver como ele se movimenta... com resultados sempre surpreendentes.



Com este programa, criar vida virtual é muito divertido! Pode ser descarregado aqui: BBC | Bamzooki. Também pode ser experimentado nos computadores do GigaEstudo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Livros Digitais


ebook reader

Diz-se que a internet e as novas tecnologias estão a relegar o livro e a leitura para segundo plano. Pessoalmente, discordo. O tempo passado online e os jogos de computador competem com os livros no cada vez menos tempo que vamos tendo disponível, mas a internet e as tecnologias estão a abrir novos caminhos de leitura. Se o ecrã de um computador não é o meio mais ideal para ler um livro, os pdas, os leitores de ebooks com o eBook reader da sony e o Kindle da Amazon, e até mesmo o telemóvel permitem ler, ler cada vez mais e em qualquer lugar. Não nos dão aquela sensação táctil do folhear as páginas, nem aquele cheirinho do papel, mas permitem ter no bolso autênticas bibliotecas e ler obras que já não estão publicadas em papel, que caíram no esquecimento, ou que não se encontram nas livrarias portuguesas.


kindle

Aqui ficam hiperligações para alguns sites onde podem ser descarregados livros, de forma perfeitamente legal:

Projecto Gutenberg É o venerável pai das bibliotecas online. Desde a década de 90 que este projecto se dedica a digitalizar obras, disponibilizando-as na internet gratuitamente em texto simples, rtf ou html. Já ultrapassaram há muito a marca dos 10.000 livros. Tem livros publicados nas mais diversas línguas, incluíndo o português.

The Online Books Page Outro venerável site, que não é tanto uma biblioteca online, mas sim um agregador de hiperligações para livros online. Permite pesquisas e está organizado segundo o catálogo de Dewey, para facilitar as pesquisas.

Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa Especializada em autores lusófonos, dos clássicos aos mais recentes.

Scribd Um conceito web 2.0: o Scribd permite a qualquer utilizador colocar online os seus documentos, em qualquer formato. Encontra-se de tudo, desde banda desenhada a trabalhos de investigação.

Issuu Um passo à frente sobre o Scribd: este site converte ficheiros em pdf, permitindo a leitura online com um leitor de livros em flash elegante, que captura a sensação de virar as páginas e folhear as obras. A explorar.

A Ficção Científica encontra-se bem representada na rede, com sites como o Infinity Plus, Free Speculative Fiction Online e a Baen Free Library. Para alguns arrepios clássicos, o Literary Gothic arquiva obras ligadas ao fantástico de autores do século XIX.


livros electrónicos num smartphone

Querem mais? Pesquisem no vosso motor de busca favorito pelo termo e-books e descubram como a internet pode ser um espaço de refúgio para o livro.

Como ler todas estas obras? Isso ficará para um outro post, dedicado a software para pc, pda e smartphone que nos permite ler livros electrónicos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ultimate Flash Face

Ultimate Flash Face v0.42b

A tecnologia Flash serve para muito mais do que criar jogos e animações. É possível criar interfaces e aplicações através desta tecnologia, permitindo disponibilizar na internet programas que o paradigma computacional tradicional só imagina no computador. Um desses programas acessível por qualquer browser compatível com Flash é este criador de retratos, que permite escolher entre dezenas de modelos de elementos do rosto para criar retratos. É uma forma diferente de abordar um dos trabalhos que se realiza na aula de Educação Visual e Tecnológica, o estudo do rosto, brincando com os elementos gráficos do rosto como peças de um puzzle. O interface gráfico da aplicação, muito low fi, dá também uma curiosa sensação de retrato de polícia científica.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fast Film





Fast Film: uma curta metragem de animação simplesmente fascinante, uma homenagem ao cinema clássico, realizado de uma maneira assombrosa: o realizador imprimiu milhares de fotogramas de filmes clássicos, recortou-os e dobrou-os num minucioso origami, fotografou os fotogramas e montou o resultado no After Effects. O resultado? Vejam. O website dos autores explica melhor este singular processo de animação.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Snow Crash



(Vai a capa da edição americana, que a da edição portuguesa não é muito inspiradora...)

Snow Crash é um livro que não se leva a sério. Mesmo nada a sério. O livro segue as aventuras de Hiro Protagonist (pronuciem o nome do protagonista e percebem a piada), um hacker afro-coreano em luta contra um cartel político-religioso que quer dominar o mundo tendo como arma secreta uma linguagem escrita em sumério capaz de alterar a mente. Snow Crash é o nome do vírus sumério, capaz de apagar a mente de hackers e programadores, que devasta o metaverso.

Com um título muito infeliz em português, Nome de Código: Samurai, Snow Crash parece à partida ser mais uma daquelas histórias que se dizem de ficção científica mas não o são, sendo simples aventuras em cenários futuristas. É à medida que vamos mergulhando no livro que começamos a perceber a verdadeira complexidade do romance. Este não pretende ser mais do que um conto de aventuras; é assumido nisso. O que o destaca é a capacidade de imaginação futurista de Neal Stephenson, o que transformou Snow Crash numa obra de culto da ficção científica cyberpunk.

Parte do romance desenrola-se no Metaverso, um espaço virtual cibernético de avatares que interagem numa rede informática mundial com uma mega cidade como interface visual. Parece familiar? Quase parece estarmos a falar da Internet, do ciberespaço e da realidade virtual. O livro foi escrito antes da explosão da internet - quando as discussões sobre espaços virtuais estavam reduzidas a núcleos duros de teóricos académicos. De certa maneira, Snow Crash inspirou alguns dos conceitos de espaços virtuais, hoje quase banais nos ambientes de jogo multijogador, que chegam a reunir milhares de avatares num único espaço virtual (pensem no Second Life). O que era uma teoria sócio-informática e uma ideia literária transformou-se num rendoso produto económico.

O enredo de Snow Crash que se desenrola no espaço real chega a tocar os limites do surrealismo, embora pareça assustadoramente possível. Influenciado pelas regras de um mercado livre e agressivo, Stephenson descreve um mundo desagregado. A noção de país desapareceu, substituída por míriades de territórios suburbanos controlados por mega-corporações rivais. As forças policiais e militares são privadas, e a ideia de franchising foi levada ao absurdo de até a mafia abrir sucursais legais. O governo apenas controla parcelas de território não franchisadas, funcionando como mais uma corporação. As pessoas vivem e deslocam-se entre condomínios fechados, circulando em auto-estradas rodeadas de lojas franchisadas. Parece uma ideia impossível? Circulem então pela IC-19, ou por qualquer outro espaço suburbano/exurbano contemporâneo.

Snow Crash vale pelo gosto da pura aventura, mas o que transforma este livro numa referência da Ficção Científica de género cyberpunk é o imaginar de um mundo virtual hiperreal que se mescla com um mundo real cada vez mais irreal.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Bang!



Uma má notícia: editada pela editora Saída de Emergência, a revista Bang!, única revista portuguesa dedicada à FC e ao Fantástico, deixou de existir em formato papel.

Uma boa notícia: os editores não desistiram, passando a oferecer a Bang! em formato PDF, de forma gratuita. Qual é a desculpa para não a ler?

Podem descarregar a terceira edição da revista aqui: Bang! #03, e saber mais sobre a Bang! através do blog Revista Bang!.

(Via A21)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um Portátil Para Todos



One Laptop Per Child

Imaginem...

Imaginem que todos tinham o seu computador portátil. Imaginem que todos se podiam ligar à internet, sem fios, em qualquer local, desde que na vizinhança houvesse outro computador ligado à internet.

Imaginem que não precisavam de comprar software caro para poderem trabalhar com o vosso computador. Imaginem que tinham um computador que podiam levar para qualquer lado - o ecrã via-se tão bem na rua como em casa. Imaginem que podiam usar o computador para tirar fotografias, fazer desenhos, ler livros, escrever trabalhos, ver filmes, fazer filmes, navegar na internet. Não caberia no bolso - mas não era muito maior do que um bloco A4.

Imaginem que tinham um computador portátil que sempre que se acabasse a bateria, podiam, em vez de o ligar à corrente, aplicar uma manivela para recarregar a bateria.

Imaginem que todos os meninos em todo o mundo tinham um computador destes. Os meninos dos países ricos, os meninos de paises como o nosso, não muito ricos, e os meninos dos paises pobres.

Qual é o preço que pagavam por um computador destes?

100 dólares.



Este computador de sonho já existe. O sonho é dar um computador a todas as crianças do mundo, ou pelo menos a todos os meninos do terceiro mundo. Não é um sonho fácil de concretizar, mas a máquina - o OLPC XO, já existe. Não é uma bomba, mas é uma máquina resistente, que corre Linux como sistema operativo. E custará mais ou menos 100 dólares. Podem encontrar mais informações sobre este projecto fascinante no Wiki do OLPC em português.

Mas mais do que a máquina, o que é importante é a visão deste projecto, que, nas palavras de Nicholas Negroponte, director do MIT Media Lab e mentor do OLPC, "É um projeto de educação, não um projeto de laptop."